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CIENFUEGOS

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  1. CIENFUEGOS

    BBB 21 [TÓPICO PARALELO]

    Você leu um filósofo que não deixou nada escrito? Bateu Chico Xavier
  2. CIENFUEGOS

    BBB 21 [TÓPICO PARALELO]

    O reverso da seriedade da vida não é a forma mercadoria entretenimento. O reverso da seriedade (e, nela incluída, a banalidade) é a transcendência possível em relações autênticas com objetos espirituais artísticos, filosóficos e científicos, nos quais se pode antever o âmbito do gosto. A forma entretenimento oferece a estagnação na seriedade pela imprecação da banalidade, uma das esferas dos afazeres sérios. O entretenimento não é o locus da cultura popular. Confundir a forma entretenimento, a venda do banal para uma relação banal, com formas populares de expressão e fruição autênticas, é uma das intenções premeditadas da indústria cultural. No que acima se disse, nenhum juízo de valor se faz sobre a prioridade do cânone sobre o popular, como já afirmei aqui. Esse não é, nem nunca será o caso, numa crítica cuidadosa. Tomar o cânone, por si, sem considerá-lo subjetivamente, como superior ao popular é outro lado do fetichismo de mercadoria e faz parte do projeto da indústria cultural, para melhor identificar e suprir fatias de mercado. Uma obra deve ser avaliada por sua potência expressiva, nos termos que já deixei claro em postagens anteriores. Quem ama o cânone por prestígio social movimenta-se no reverso da esfera fetichista administrada por essa indústria, que tem num de seus principais ardis cindir as esferas do "sério" e do "ligeiro", como se não andassem de mãos dadas na criação artística autêntica, numa harmonia originária. Como exemplo do que estou dizendo, de que a crítica de modo algum se dirige ao ataque insensato ao "popular", insensatez que, por outro lado, no descuido acrítico, tão bem compreende o popular como idêntico ao entretenimento e, nesta falsa relação, ajuíza caridosamente "pelo povo", num falso populismo, fornecerei um elogio, quando me sobrar mais tempo, às qualidades narrativas do primeiro TLOU - obra eminentemente popular, simples e poderosa.
  3. CIENFUEGOS

    The House of Dragons - Prequel of thrones

    Os masoquistas seguem se alimentando alegremente com merda, hahaha. TÁ NA TV NÉ
  4. CIENFUEGOS

    BBB 21 [TÓPICO PARALELO]

    Diante dessa pergunta, ao liberal convencido de que "está tudo bem", resta o silêncio. O masoquismo também é uma escolha racional! Melhor deixar pra lá. Minhas palavras se dirigem aos indignados miserandos: leiam Kafka, Proust, Baudelaire com a crítica de Benjamin, Horkheimer, Adorno, Marcuse, Lukács e Heidegger à mão. Leiam Benjamin, sobretudo - e com atenção. Parece o mais fácil e é o mais difícil. O mais visceral, depois de Heidegger. Retoma o que Schopenhauer e Nietzsche avançaram, sobre a capacidade de expressão da arte, em novas bases, menos mistificadas (ainda que, em parte, prenhes de mistério). A proposta de uma epistemologia contemplativa! Nada poderia ser mais absurdo no triunfalismo do Esclarecimento. A epistemologia por contemplação de obras artísticas - obras como totalidades em si mesmas, destituídas de um ordenamento progressivo, da "melhor à pior"; como concreções espirituais sobre as quais se podem haurir conhecimentos contemplados em vez de abstraídos. É a crítica mais radical sobre o "para onde vamos", porque põe em xeque a verdade cartesiana da epistemologia físico-matemática. Põe em xeque a verdade, compreendam! Não a validade. O conteúdo de verdade, não o de validade, é posto em xeque. A verdade como a esfera da experiência concreta, holística, mais ampla que aquela da validade, que nela tem seu lugar, mas não pode dominar, sob o risco de perverter e idiotizar.
  5. CIENFUEGOS

    BBB 21 [TÓPICO PARALELO]

    A falta que faz um sad react...
  6. CIENFUEGOS

    BBB 21 [TÓPICO PARALELO]

    Aperfeiçoei a consideração sobre o futebol.
  7. CIENFUEGOS

    BBB 21 [TÓPICO PARALELO]

    Essa lógica só se sustenta abstraindo as condições concretas do modo de produção vigente. Vale como fórmula a-histórica. Este mundo é outro. Um indício em Aristóteles que pode servir pra começar a pensar no que consiste a transformação ontológica operada pela ascensão totalitária da economia de mercado sobre o diverso das expressões humanas e do diverso de sua relação com a natureza é sua crítica à crematística. Um indício, apenas, limitado pelo seu tempo como era Aristóteles. Pra contrapor aquele mundo com este e salientar as diferenças, sugiro um estudo pormenorizado do significado de phýsis no mundo grego. A formulação mais precisa e sintética que já li a respeito sobre a compreensão grega de phýsis está em Heidegger, A questão da técnica. Tradução sugerida: Werle.
  8. CIENFUEGOS

    BBB 21 [TÓPICO PARALELO]

    Em todo caso, "economia de mercado" é um erro da minha parte. A economia de mercado é apenas a mônada, a crisálida, o botão ou a semente, a raiz que, enquanto raiz, ainda não é - e pode não ser - dominação totalitária. Esse é o limite da analogia com a natureza, que à leitura liberal não é analogia, mas ontologia (realidade). Sirvo-me da analogia por mera imitação, para negá-la. Aqui, onde a nego, repousa minha sanidade. Aos que prosseguem com suas falácias naturalistas, os fantasistas decrépitos e contentes, sobretudo confiantes na razão instrumental, a prudência contra a metafísica das retóricas linguísticas se perde no horizonte - e naufraga.
  9. CIENFUEGOS

    BBB 21 [TÓPICO PARALELO]

    Pra quem tem o mínimo de boa vontade em compreender o que tento dizer - ao menos a mesma vontade que aplicam aos seus mecanismos de defesa, vindo pra cá comentar apenas pra reforçar o veredicto que trazem no peito, quando poderiam ignorar o tópico -, o esquema lógico "o entretenimento, dominado pela economia de mercado, motor da circulação de mercadorias na sua forma publicitária, é útil pra distrair o humano do cansaço" só vigora nos próprios limites estruturantes da economia de mercado. É uma lógica autorreferente, validada pelo modo de vida que está aí e que, em sua monstruosa justificação, anuncia-se como Final. O esquema lógico só se justifica se, no peito daquele que consente, o fim da história estiver gravado à ferro em brasa.
  10. CIENFUEGOS

    BBB 21 [TÓPICO PARALELO]

    Você poderia descomplicar a expressão cristalina do que ora avanço, no momento mais autêntico do tópico, em que Sete Anjo deu razões pro seu gosto, logo interpretado por mim? Ali está didaticamente o ponto FULCRAL do problema do entretenimento no capitalismo tardio. Daquela mônada se extraem todas as consequências, que deixei aos pingos na primeira página, complementáveis no artigo que indiquei. Todo o "complicado" descomplica-se, desvelado, no breve diálogo com Sete Anjo. Adorno e Horkheimer, na Dialética do Esclarecimento, formulam a seguinte tensão: no discurso mítico, já há um impulso de esclarecimento; da mesma forma, no discurso do esclarecimento, há um regresso mítico. As múltiplas objetivações dessa tensão fundamental explicam as irracionalidades da Razão, crisálida da razão instrumental embebida nos rationales individuais contemporâneos. É comum, por isso, sob a aparência dessa racionalidade, que as críticas que a ela se dirijam apareçam como mistificações. Porque o aspecto mítico, na razão instrumental, se oculta e é ocultado constantemente. Ela aparece como mera racionalidade, sem mais. E a crítica que procura desvelar seu fundo mítico, contra a coesa moldura da tela ofertada, aparece a essa mesma "mera racionalidade, sem mais" como mistificação ou, no teu linguajar, "complicação".
  11. CIENFUEGOS

    BBB 21 [TÓPICO PARALELO]

    Você não respondeu o que perguntei. A origem da arte está ligada ao sofrimento da existência. A banalidade é um de seus sofrimentos. Os trabalhos e a banalidade estão diante do humano em suas relações, da maneira mais imediata. O existente busca o "outro" na arte, na qual se joga com a seriedade, negando-a por imitação e fruição, ao mesmo tempo em que nela se descobre, sinteticamente, quê pode ser a vida (eis o cerne da estética). A seriedade da vida inclui a banalidade. Numa sociedade administrada, banalidade e seriedade andam de mãos dadas. Eu posso te fornecer uma razão melhor pra "gostar" de BBB: se visto como arte, trata-se da arte da banalidade e se experimenta não como um distanciamento da seriedade, mas como reafirmação desta, inclusive na manipulação dos gestos e discursos. A experiência estética em acompanhar o BBB, em lugar de trazer o "outro" da seriedade, entretém nos limites dessa seriedade, numa ambiguidade em que, ao mesmo tempo em que se pretende como arte, restringe-se artisticamente, dando-nos somente o banal que já experimentamos sem refletir. Reforça esses limites. Dentro de uma vida banal, encontramos o banal no BBB, nada mais. O banal se mescla com o banal e, nesse círculo, não se transcende, a menos que se chegue à compreensão que acabo de enunciar e se descarte, por esgotamento, essa experiência. Ou segue-se masoquista.
  12. CIENFUEGOS

    BBB 21 [TÓPICO PARALELO]

    O sintomático dessa resposta é que ela oferece mais razões pra desgostar que gostar de BBB. A todo momento se ressalta a venalidade da experiência. Uma explicação curiosa pra determinar o gosto: o que vale nesse gostar descrito por Sete Anjo é, justamente, a falta de relação com o que se gosta. Como um martírio? Permita-me questionar se aí não se configura, mais propriamente, um "gostar" de caráter masoquista?
  13. CIENFUEGOS

    BBB 21 [TÓPICO PARALELO]

    Ótimo. Passemos à abordagem didática. Explique-nos por que você gosta de assistir BBB, Sete Anjo. Se não souber dizer, será sintomático. Se o souber, nem por isso estará a salvo.
  14. CIENFUEGOS

    BBB 21 [TÓPICO PARALELO]

    Discordo. Você mesmo apontou a manipulação interna na edição. Ela reflete um dos níveis de manipulação. Com isso, não quero determinar que não se pode não ver nem deixar de comer cocô. Mas é mais complexo que supor a pura liberdade de escolha. Há uma TENDÊNCIA arquitetada pelos administradores de vendas - cada vez mais precisa, a partir dos dados diretos das interações na rede, um material denso e vasto pronto-para-análise - que se replica de maneira difusa na tessitura social. O impulso do sucesso e o sucesso acumulado agem continuamente. Quem, por outro lado, está ciente dos resultados nas pesquisas comportamentais (um complexo científico multidisciplinar) sabe que a pura liberdade de escolha, tal como a pensaram os liberais, já está pacificada como mera ideologia. Tenha certeza que os administradores de vendas mais "competentes" o sabem. Por essa razão torna-se ainda mais sério o problema da manipulação.
  15. CIENFUEGOS

    BBB 21 [TÓPICO PARALELO]

    Com o que digo, não me refiro a uma defesa do "cânone" contra o "popular". Essa divisão já é ADMINISTRADA pela indústria cultural. Essa cisão faz parte do disciplinamento e do controle,. O entretenimento se consolida nessa divisão, em variadas expressões de nicho, que de saída fetichizam pertencimentos tribais PELA coesão tribal. A "cultura nerd", por exemplo, é pelo motor publicitário do entretenimento elevado a totem. Assim como a "alta cultura", a "música clássica", que recebem esses rótulos para fins de compra e venda para fatias de mercado, sob determinada expectativa social (e são depravadas em coletâneas, ou administradas sem discussão legítima sobre o cânone - um desses reflexos é que Beethoven está reduzido, basicamente, a três sinfonias e um punhado de peças). Não digo que essa forma domine todas as experiências individuais (embora TENDA, no seu movimento totalitário), mas me refiro a uma generalização social.
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