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CIENFUEGOS

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  1. CIENFUEGOS

    Sobre qualquer coisa que eu decidir dizer no momento.

    Sobre esse movimento de "homens sanctvs", garotinhos católicos que acompanham a exegese olavete do aristotelismo, comprazidos porque nela substancialmente interrompidos sob o Muro da Justificação, cujo apelo misticista exige um posicionamento de Eterna Suspeita (suspense e veneração), como a um Temor Científico... bem, o drama da prisão escolástica do pensar é uma realidade histórica acessível. Quando leio Kant e Hegel me entristeço, especialmente pelo último, por todo aquele esqueleto formal de expressão escolástica revestindo, como apodrecido invólucro, o renovado espírito dialético.
  2. CIENFUEGOS

    Sobre qualquer coisa que eu decidir dizer no momento.

    A literatura implica a filosofia, esta implica e preenche a literatura. A ideia literária tem mais a ver com ideias filosóficas que com a referência externa, objetiva, ao mundo. Se não se atende à solicitação de uma, perde-se algo da outra. Não é trivializar a filosofia: ela carrega e é carregada, não significa nenhuma hierarquia ou causalidade. Antes, para o entendimento, há uma relação comunitária entre literatura e filosofia.
  3. CIENFUEGOS

    Sobre qualquer coisa que eu decidir dizer no momento.

    Uma analítica não se restringe meramente ao momento particional. Esse tipo de análise pode ser descrita, em termos modernos, como "análise do entendimento", ou "lógica própria do entendimento", que é a lógica categorial. Analítica-existencial é outra coisa. Outro método. Não se limita à mera análise, à fragmentação do conhecimento em particulares e na sua reunião lógica no "eu" ou numa "conjunção constante" (como defendem os psicologistas), puramente abstrata, como "sujeito". A fenomenologia é um método analítico-existencial, nas suas mais variadas matrizes "nacionais" (sendo a matriz francesa - pra dar meu pitaco - a mais lixosa)
  4. CIENFUEGOS

    Sobre qualquer coisa que eu decidir dizer no momento.

    Entendo que você goste de se expressar por intuições estéticas. Também o faço. Porém, pra revestir vigorosamente o sentido estético do exprimir como desocultar (ou a-léthea, romper do esquecimento-aí) uma atitude crítica, científica, interpretativa e analítica deve se impor como distinção e filtro. Senão a expressão fica esteticamente vazia, ou meramente preenchida por impulsos em si sentimentais (com isso, não pretendo castrar impulsos - apenas alerto que tais, por si, não expressam verdade)... Portanto, o vigor estético da intuição expressa depende, também, do espírito analítico, ainda que tal espírito não seja suficiente à intuição estética. Veio-me uma indicação literária frutífera: Teogonia traduzida por Jaa Torrano pela Iluminuras. Leia o estudo introdutório. Ali é puro método analítico-existencial aplicado à hermenêutica da cosmogonia grega.
  5. CIENFUEGOS

    Sobre qualquer coisa que eu decidir dizer no momento.

    Leia Ser e Tempo. É a melhor introdução ao seu pensamento. O "segundo Heidegger" basicamente impugna o "aí" do ser em sua hermenêutica, ou melhor, converte o "aí" em homem, novamente, e o põe como parte da ontologia, sem a precipuidade de sua situação hermenêutica, seu "aí" de cada vez.
  6. CIENFUEGOS

    Sobre qualquer coisa que eu decidir dizer no momento.

    Por outro lado, e pensando na lógica: até pouco tempo, lógica era lógica aristotélica ou estoica, e depois, unida numa linguagem formal calculável por Frege, consolidou-se como "lógica clássica". A lógica clássica trabalha com universais silogísticos ou particulares operados por conectivos lógicos quantificáveis. Essas limitações foram destruídas por lógicas não-clássicas. Não comento mais que isso porque aí é um terreno que ainda não domino, não estudei lógicas não-clássicas. Mas sei que elas, por distintos métodos, alcançaram, com igual validade (a lógica clássica continua absolutamente válida) linguagens artificiais capazes de capturar comportamentos e sentidos linguísticos não capturáveis pela lógica clássica. Quanto à possibilidade de sustentar pretensões sobre um sistema fechado e infalível, recomendo ir à Gödel, conhecer a teoria da incompletude.
  7. CIENFUEGOS

    Sobre qualquer coisa que eu decidir dizer no momento.

    Te dou um caminho de pensamento. Quando Heidegger erige uma ontologia hermenêutica, deslocando a metafísica como fundada cientificamente (seja por Kant ou por Hegel, ou por qualquer outro que a pretendeu justificá-la - Spinoza, Descartes, Leibniz etc. ou psicologizá-la, como os empiristas britânicos) para uma investigação da estrutura mínima da experiência subjetiva "aí", ele desloca o momento cognitivo da interdependência entre universais e particulares (tanto no método indutivo quanto no método dedutivo) para a singularidade sempre já do ser-aí (do subjetivo-aí, deste aí que o ser é a cada vez projetado no mundo - de ti, tu aí, tu que é sempre-já numa situação concreta, singular, no mundo - ou seja, "aí" jamais abstrato, "aí" jamais isolado). Toda representação pré-heideggeriana pensava os conteúdos representacionais (sim, as representações prévias não são meras explicações formais - elas tratam de conteúdos também. Um sistema jamais busca a mera formalidade, senão é incompleto) como universais predicativos, proposições particulares e universais, desconsiderando ou diminuindo o interesse especulativo sobre a singularidade. A crítica kierkegaardiana se dirige contra essa formulação representacional, recuperando a experiência singular à especulação ontológica. Nisso consiste sua originalidade inaugural, e segundo esse método, dele frutificaram novos conceitos, pré-científicos, estruturantes da experiência subjetiva-aí, como mencionei, "instante" ou "repetição" (por oposição à reminiscência grega), etc. Heidegger, a partir do método da analítica existencial, especulando o quadro mínimo da experiência singular, também produzirá uma série (mais refinada, distinta e frutífera) de conceitos ou estruturas conceptualizantes (estruturas compreensivas ou possilibitações de abertura a partir do "aí" do ser que é o ente do humano) que trouxeram consequências destrutivas à metafísica da representação (racionalista) e à metafísica do conceito (ou dialética especulativa). Há sempre um método por trás, e especialmente num sistema. Sistema é método. Spinoza é método. Você acha que não? Spinoza é um dos cumes do método! Aristóteles também é método, embora mergulhado em obscuridades, porque se trata de um texto milenar, alterado por diversas tradições, corrompido por escribas e expresso numa potência linguística visceral que nos é difícil de compreender - e cuja hermenêutica heideggeriana quis interpretar, atingindo também o cume de seu comentário. Recomendo, aliás, o comentário heideggeriano à Aristóteles: ali há riqueza. Em Olavo, quando não há banalidade, há desonestidade.
  8. CIENFUEGOS

    Sobre qualquer coisa que eu decidir dizer no momento.

    Também não se pode afundar na mera especulação. Não leio apenas filosofia especulativa. Li-a muito a fim de compreender, comparar e triturar pressupostos. Atrito diferentes pressupostos para elevar e conservar um novo pensamento. Eis a vulgarização do método dialético. Mas a especulação somente adoece e aliena. Há de se pesquisar na vida, tanto no agir quanto na arte e no conhecimento empírico (científico, social ou "exato"). Tudo isso é formativamente necessário contra a preguiça dos roçadores de notinhas de um real no cu. Contra o prazer retal convertido em abstração de valores, niilismo. A compreensão metódica apurada, detalhista, liberta. Por falar em niilismo, sabe quantos niilistnhas idiotas, leitores de meio Nietzsche, tenho arrombado? Ler Nietzsche sob a perspectiva da tradição - passada a experiência interpretativa, exposição árdua e violenta, esforço de compreensão objetivante - é proveitoso. Mas lê-lo enquanto um aculturado desdentado provê no máximo uns insights idiotas - na acepção de idion - misturados com certas intuições apreendidas no falatório da mediania cotidiana. Compreender Nietzsche é, aliás, apreender uma vigorosa mensagem contra o niilismo. Para ficar nesse exemplo.
  9. CIENFUEGOS

    CAMPEONATO BRASILEIRO 2019

    Mas poderia treinar meu time. Como treinador é bom. De resto merece morrer.
  10. CIENFUEGOS

    CAMPEONATO BRASILEIRO 2019

    Esse Tiago Nunes é escrotão pra caralho. Um véio da Havan no futebol
  11. CIENFUEGOS

    Sobre qualquer coisa que eu decidir dizer no momento.

    Você precisa de um método. Você encontrou coerência no olavismo e ele te fez sentido porque há um método pressuposto. Um mau filósofo pode ter um método bom. Barganhadores com um "bom" método desonesto produzem um sistema de justificação coerente. A mera coerência não verifica. Essa é uma lição popperiana. O perpassar desses barganhadores (e sob esse conceito extensiono todo especulador), com segurança, exige momentos de suspensão de juízo. A dúvida é mais salutar que mil certezas na tarefa especulativa. Assim como um passo real no avanço do comunismo vale mais que uma dúzia de programas. Ambos os princípios são compatíveis. Objetivar para si múltiplas coerências é meio caminho à autonomia intelectual. Você é jovem. Tenha a pesquisa por certeza e, na prática social, a identificação e luta contra os teus senhores.
  12. CIENFUEGOS

    Sobre qualquer coisa que eu decidir dizer no momento.

    Há outro ponto relevante nessa exposição exemplar de "representação" na epistemologia kantiana. Quando usamos tais expressões numa função teorética desvelamos um topos, por um lado, mas aferramos grilhões, por outro. Nenhuma palavra usada numa sentença tem o significado do dicionário. Elas estão articuladas numa unidade mínima de sentido, a sentença (descoberta fregeana) e respondem num contexto intertextual. A linguagem tem um páthos, e certas noções carregam uma visão de mundo com que se compromete o especular. Por isso há de ser prudente: quando se quer construir uma hipótese mental referindo à representação, traz-se consigo mais que meras ideias individuais, ocultas no espírito percepciente (como acreditavam, erroneamente, Locke e Hume, cujas teorias psicologistas da linguagem estão mortas). Há um sentido externo, público, comum e articulado numa proposição qualquer. E a escolha conceitual ou etimológica - quando explicitada - expressa, por si, um caminho de pensamento restrito. Um escritor força a linguagem, expreme-a pra multiplicar, ressignificar ou desorientar o sentido. E quando o faz bem, é bom. Mas mesmo essa empreitada supõe um pensamento comum por trás, um comprometimento, a solicitação da publicidade, do uso, do proferimento. Por isso teorias de embodied cognition rejeitam a mediação representacional na origem e fundamento do saber. A representação é um momento cognitivo secundário. Não se parte, nessa pesquisa, de teorias da representação.
  13. CIENFUEGOS

    Sobre qualquer coisa que eu decidir dizer no momento.

    A compreensão, qualquer que seja, é resultante. Heidegger diz que, estruturados como aberturas, projetados (ou dejetados) no mundo, sempre já somos, abrimo-nos numa situação hermenêutica e nela somos compreensão de ser. O positivo a que tu te refere pode ser um subsistente teórico, mas também um saber fazer ou abrir-se como ser no sempre-já que o ser-aí é a cada vez. Esse desvelar filosófico me interessa.
  14. CIENFUEGOS

    Sobre qualquer coisa que eu decidir dizer no momento.

    Sem dúvida os sistemas fechados ou "filosofia muito explicada", enquanto tais, infalíveis, estão mortos. Minha curiosidade aí é hermenêutica.
  15. CIENFUEGOS

    Sobre qualquer coisa que eu decidir dizer no momento.

    Li Kant pra caralho também por isso. Destruir o burro do locke ou do Adão esmite é fichinha. Mas combater o liberalismo kantiano - que impregna até mesmo a esquerda dita comunista, pra não dizer as outras - é um tanto complicado. Fui às bases de justificação pra revirá-las. Nenhum esquerdista me ganha com suas abstrações liberais herdadas no falatório dos seus senhores. Converto todos que encontro, numa atitude socrática absoluta em prol do Comunismo, estrela da verdadeira emancipação humana descoberta no pensamento vivo de Marx.
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