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[Review] Shining Force Neo & Shining Force EXA (PS2)

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Shining Force Neo é um RPG/Ação peculiar. Apesar de fazer parte da clássica série de RPG/Estratégia feita pela Camelot, esse projeto da Neverland faz uma mistura interessante, pois na jogabilidade é mais similar a jogos como Diablo. Mas ao invés de menus e sistemas de evolução muitas vezes convolutos de jogos desse estilo, Shining Force Neo aplica enredo, personagens, ambientação e sistemas mais intuitivos de RPGs japoneses. O resultado acabou se revelando muito bom, mas a mudança de estilo e a relativa obscuridade da série depois da era 16-bit acabou por fazer que o jogo passasse batido por muita gente (eu incluso).

 

O jogo possui mapas imensos e batalhas intensas com dezenas de inimigos ao mesmo tempo na tela. Slowdowns são raros, mas podem acontecer quando a tela fica muito cheia de inimigos e efeitos de magias. Depois do começo ridiculamente fácil, Neo me surpreendeu com uma dificuldade inesperada. Não dá para fazer bobeira e sair apenas atacando, pois os grupos de inimigos podem te superar com números, ou algum monstro especialmente forte pode facilmente aniquilar seu time em segundos. Felizmente, o jogo oferece muitas oportunidades para o jogador se adaptar, seja através dos equipamentos ou de um sistema de evolução simples mas extremamente eficiente. O protagonista, Max, pode usar qualquer tipo de arma, variando de espadas de uma ou duas mãos, arcos, lanças, machados, cajados para magias etc. A jogabilidade muda bastante dependendo do tipo de arma escolhida, embora eventualmente me assegurei alternando entre espadas de duas mãos e o arco, uma combinação eficiente para lidar com os mais variados tipos de situações. Mas se deve prestar atenção também aos efeitos especiais dos equipamentos, seja de ataque ou defesa. Se está causando pouco dano ao inimigo, é bom trocar por uma arma que tenha efeito especial contra aquele tipo.

 

O sistema de evolução anteriormente mencionado também é de suma importância. Ao longo do jogo se acumula Energy Points, além dos Experience Points. Os Energy Points são aplicados a várias Skills Trees que realmente influenciam seu personagem. Se está notando que inimigos de uma certa área estão te trucidando com ataques de fogo, invista em resistência a este elemento. Está causando pouco dano a um determinado tipo de monstro, como Golems? Invista na skill Golem Killer, e assim em diante. Há dois status também muito importantes, que é Stun e Knockback: ataques do primeiro tipo fazem Max ficar tonto, enquanto o segundo o derrubam para o chão. Isso é muito importante pois se cair em batalha no meio de uma multidão de monstros, pode ser morte certa, então também são dois status que devem ser levados em consideração nas estratégias. Ainda é possível equipar Secret Arts nas armas e nos equipamentos para efeitos extras. As áreas e dungeons do jogo são enormes, existem “Hives”  que funcionam como arenas de batalha dedicadas e classes específicas de monstros, e a dificuldade do jogo garante que o jogador sempre esteja pensando em como evoluir Max para lidar com os diversos desafios. Max ainda pode escolher outros dois personagens para acompanha-lo e, cada um com seus prós e contras. Não há nenhuma opção para comandá-los em batalha, mas tirando uma vez ou outra quando ficam presos em cantos de paredes, a AI nunca atrapalha e pode fazer bastante diferença. E, por volta do meio do jogo, ainda há a opção de fazer sidequests específicas para cada um desses personagens para fazer com que ganhem novos atributos e defesas. A centauro Mariel rapidamente virou uma das minhas favoritas pela sua alta capacidade de ataque aliada a magias de cura, enquanto o robô Adam, após sua evolução, é facilmente o melhor atacante de suporte do jogo.

 

A história é padrão para o gênero, mas gostei bastante. O grande destaque são os personagens, quase todos interessantes e divertidos. O herói Max é um jovem que treina constantemente sob a tutela do seu mestre Graham para um dia se tornar um “Force”, grupo de elite de soldados que protegeram o mundo de uma guerra contra inimigos conhecidos como Legion, 13 anos antes do começo do jogo. É claro que mais ou menos assim que se começa a aventura esses monstros misteriosamente voltaram para atormentar os habitantes do mundo de Neo, assim como um misterioso guerreiro disposto a destruir os três cristais que protegem os grandes centros habitados. Nada de outro mundo, mas cumpre seu papel. O ponto mais baixo é o vilão, que é facilmente um dos mais irritantes e insuportáveis (e não no bom sentido para um inimigo) que já vi.

 

Ah sim, tem outro aspecto que pode afetar o enredo mas felizmente pode ser contornado: as vozes. Ugh. O trabalho de dublagem de Shining Force Neo é facilmente um dos piores que já escutei em RPGs, em especial do PS2 onde a qualidade desse aspecto dos RPGs melhorou bastante em relação ao que vimos na geração anterior. Pela glória divina existe a opção de desligar as vozes, e sugiro a todos que façam isso. Personagens que antes estavam me irritando passaram a ser outra pessoa quando só passei a ler os diálogos. Porém, não há a opção de desligar as vozes das batalhas, então ainda somos obrigados a escutar os personagens repetindo as mesmas frases ad infinitum (Meryl, nunca mais na vida quero escutar “Hot stuff coming your way!”). As músicas pelo menos são boas, ainda que nada de memorável.

 

Os gráficos usam cenários 3D e personagens cel-shading, e não é nada muito detalhado, creio que para não afetar a performance que, como já dito, tem poucos slowdowns mesmo com uma quantidade de coisas absurda ocorrendo durante as batalhas, bem como uma movimentação muito rápida e fluida. Me senti mal por ter passado reto por Shining Force Neo na época, pois tirando o atraso agora me vi viciado como a muito tempo não ficava com um jogo, perdendo madrugadas a fim explorando as dungeons e enfrentando os desafios que o jogo tem a oferecer. Foi o primeiro jogo da série que terminei, a impressão inicial não poderia ter sido melhor.

 

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Shining Force Neo

 

 

Alguns anos depois, a Sega encarregou a Neverland de fazer uma continuação para Shining Force Neo, e o resultado foi Shining Force EXA. Não se trata de uma continuação de enredo, mas de temática e jogabilidade, visto que a história e personagens são completamente novos (apesar de aparentemente passar no mesmo mundo, mas em épocas bem diferentes). A engine usada também é a mesma, mas houve melhorias nos gráficos, agora mais detalhados e limpos, com destaque para os modelos dos personagens que ficaram bem melhores. A trilha sonora manteve a qualidade anterior, e agora, ainda bem, as vozes são boas! Não senti a necessidade de desliga-las nenhuma vez como aconteceu com o Neo.

 

Agora o jogador tem a opção de jogar como os personagens Toma ou Cyrille, podendo trocar quando quiser. Toma pode usar quase todas as armas que Max usava, com exceção de cajados e arcos. Agora é Cyrille quem usa ataques de longa distância e livros para magias. Como quase sempre joguei como Toma, minha opção de armas desta vez foi a espada de uma mão alternando com armas de duas mãos dependendo da ocasião, enquanto Cyrille é muito mais eficiente com suas Crossbows, mas ainda precisando usar magias dependendo do inimigo. A jogabilidade e sistemas de evolução são praticamente idênticos aos de Shining Force Neo, o que é muito bom. Foram adicionados Charge Attacks e Especial Attacks. Após um combo normal, se segurar o botão de ataque, o jogador pode emendar com um Charge Attack e, ao final deste, se segurar novamente, pode executar o Especial Attack. Estes últimos gastam MP, mas também podem ser emendados por ataques subsequentes que são devastadores. A outra diferença é a Geo-Fortress. Pouco depois do começo do jogo, o jogador tem acesso a essa fortaleza que funciona como base de operações e pode evolui-la assim como os personagens, lembrando um pouco o esquema dos castelos de Suikoden. Usando Metal Cores, a base tem várias funções que vão sendo destravadas ao longo do jogo, incluindo um radar para ajudar na navegação e um canhão de longo alcance que pode destruir obstáculos. E outra, enquanto se está explorando o mundo do jogo, a fortaleza será atacada por inimigos, e o jogador terá que defende-la em batalhas usando os personagens que deixou na base (como sempre escolhi jogar com o Toma, coube a Cyrille defender a Geo-Fortress). 

 

Infelizmente, houve uma grande mudança em relação a Shining Force Neo que me decepcionou: EXA é muito mais fácil. Fiquei esperando que o desafio aumentasse ao longo da aventura, mas não chega nem perto, o que acaba por subutilizar os excelentes sistemas de jogo que herdou de seu antecessor. Isto é, até chegar na dungeon final, que possui um salto enorme de dificuldade, finalmente se assemelhando ao Neo. Mas como essa mudança vem do nada, é certamente um choque. De repente tive que reavaliar as estratégias, melhorar as armas, investir em Knockback e Stun Resistance etc (dica: ao chegar na dungeon final, evoluam skills como Golem Killer, Undead Killer, Lizard Killer e Giant Killer, além de levar Defense Charms para os inimigos que abusam do status Stone). E o último chefe é uma apelação absurda, chegando a ser injusto. Só consegui vencer com muito esforço e usando todos os Light Charms (itens que te deixam invencível por um tempo) que, felizmente, tinha guardado (encontrei apenas quatro ao longo do jogo, embora a loja de vez em quando tenha para vender, por um preço exorbitante).

 

O enredo, assim como Shining Force Neo, é simples mas eficiente. O protagonista Toma, junto com o centauro Gadfort e a elfa Maebelle, procuram pela lendária espada Shining Force, enquanto dois impérios, Noswald e Magnus, se encontram na beira de uma guerra destrutiva. Cyrille é outra pessoa que está procurando a Shining Force, e logo se junta a Toma, apesar de mal suportar estar perto do garoto. Sim, todos podemos adivinhar como isso vai acabar, mas a dinâmica dos dois é um dos pontos altos de EXA. Toma é um personagem principal melhor que Max, e Cyrille começa extremamente chata mas realmente melhora como pessoa ao longo do jogo. Os personagens secundários, porém, achei piores que o ótimo grupo de Shining Force Neo, mas EXA compensa oferecendo dois vilões MUITO melhores que o vilão cretino de Neo, sendo personagens bem desenvolvidos e que não são pintados em cores simples de bom ou mau.

 

Ainda me diverti horrores com Shining Force EXA, mas a queda na dificuldade eventualmente fez com que a balança pendesse para o lado do Neo na minha opinião, sendo este o superior dos dois. Ainda assim, ambos são excelentes jogos que realmente me pegaram de surpresa, instigando minha curiosidade por essa série que, sinceramente, nunca tinha me prendido muito. Pode ser que venha a tentar outros jogos no futuro.

 

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Shining Force EXA

 

 

PS: uma pena que Shining Tears, outro RPG/Ação da série para PS2, seja tão ruim. Os gráficos 2D são lindos, mas a jogabilidade é insuportável.
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Mandou bem nos reviews. Uma das melhores experiências que tive na vida. Ótimo desafio EXA tem, basta ir nas áreas não autorizadas e não seguir sempre o main story q vc encontra muito desafio.

 

Nostalgia total aqui.

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Não mesmo, eu sempre fui naquelas áreas perigosas com as placas e tirando uma ou outra (como aquela do deserto), nada que se compare ao normal do Neo. O EXA só ficou difícil mesmo na última dungeon e algumas das arenas de batalha.

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Nunca joguei o Neo, lembro bem que na época todo mundo falava que o jogo era horrível, perda de tempo, ect e tal. Era bem na época que qualquer jogo da sega era tido como uma porcaria... e em muitos casos, sim, os jogos da sega não eram bons naquela época, e estávamos no auge do PS2, muito jogo bom que não dava para ignorar.

 

Mas o Exa, eu adorei o Exa, fiz level 99 e praticamente tudo possível no jogo, personagens secretos e tudo mais. Jogaço.

 

Uma pena que o Exa não esteja na PSN, e gostaria que Neo também estivesse, porque agora penso que eu passei um bom jogo por causa da reputação da Sega na época.

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Roubaram a sua conta Strife?

 

Lembro que na época Shinig Force Neo ganhou o título de decepção do ano. Todo mundo criticava o jogo, e você era um dos mais fervorosos.

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Minha opinião mudou. Na época colocamos na categoria dos piores do OSCARPG por votação, e eu passei reto por ele mesmo pois não tinha me interessado, mas nunca fui "fervoroso". O Shining Tears que é triste, esse sim eu joguei um pouco na época e desci o pau, fui tentar novamente depois do Neo e EXA e continuei achando muito ruim.

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Depois do Shining Force 3, a história phantasystarzou total não foi? Não tem mais nada a ver com os jogos antigos de Game Gear, Megadrive e Saturn. Só o mesmo estilo de jogo. Tentei jogar os novos de GBA e DS, mas não curti. Só o remake do primeiro no GBA mesmo.

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Minha opinião mudou. Na época colocamos na categoria dos piores do OSCARPG por votação, e eu passei reto por ele mesmo pois não tinha me interessado, mas nunca fui "fervoroso". O Shining Tears que é triste, esse sim eu joguei um pouco na época e desci o pau, fui tentar novamente depois do Neo e EXA e continuei achando muito ruim.

Não me leve a mal Strife, nenhum problema em mudar.

 

Estou incrivelmente surpreso, só isto. Talvez você não era um dos mais fervorosos, e que realmente depois de tanto chamar a Sega de Cega e dar o prêmio Uwe Boll duas vezes para ela (sei que é votação, mas lembro dos seus comentários sarcásticos, ria muito deles), me parece um grande bug na Matrix.

 

Agora lembrei um pouco da época, deu até saudade aqui.

Depois do Shining Force 3, a história phantasystarzou total não foi? Não tem mais nada a ver com os jogos antigos de Game Gear, Megadrive e Saturn. Só o mesmo estilo de jogo. Tentei jogar os novos de GBA e DS, mas não curti. Só o remake do primeiro no GBA mesmo.

Ném o mesmo estilo de jogo. Nem RPG estratégia e mais, única coisa que manteve e os itens e meio que as raças.

 

A Camelot que fazia o jogo foi comprada pela Nintendo, que fizeram os excelentes Golden Sun para GBA. O design dos personagens, os equipamentos e até o jeito da história lembra Shining Force.

 

Aliás, o que aconteceu com a Camelot? Desde o Golden Sun do DS (um jogo bem pouco inspirado infelizmente comparado aos do GBA), ela não fez mais nada. Isto sem levar em conta que terminou num grande Cliffhanger o final do jogo do DS. Achei que estariam fazendo a sequel, e até agora nada.

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A Camelot só vem desenvolvendo aqueles spin-offs de golf e tênis do Mario, até onde eu sei.

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Curti tanto o Neo quanto o EXA, sendo que o EXA acho superior em muitas coisas.

Strife manja, eles são bem melhores que o Shining Tears mesmo.

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 Tentei jogar os novos de GBA e DS, mas não curti. Só o remake do primeiro no GBA mesmo.

 

Ate hoje sonho em poder jogar o 3, amei o 1 e o 2. Pro GBA, a ressurreição do dragão negro foi excelente! Jogar aquilo foi uma delícia, uma carta de amor para os fãs da série.

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Não mesmo, eu sempre fui naquelas áreas perigosas com as placas e tirando uma ou outra (como aquela do deserto), nada que se compare ao normal do Neo. O EXA só ficou difícil mesmo na última dungeon e algumas das arenas de batalha.

 

Cara, eu não me refiro apenas às areas com aviso de perigo. E sim ir para áreas totalmente nada a ver com o enredo. Eu lembro que eu ia para MUITO longe do objetivo principal, encontrava varios inimigos que eram 1-2hit/kill. Diversão garantida.

Roubaram a sua conta Strife?

Lembro que na época Shinig Force Neo ganhou o título de decepção do ano. Todo mundo criticava o jogo, e você era um dos mais fervorosos.

 

Sempre foi fã. Esse é o padrão dele, inclusive com Star Ocean.

 

Na verdade o próximo suprise topic será reconhecendo a superioridade de Motoi Sakuraba. Verá.

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